Endoscopia Digestiva Alta

A endoscopia é um exame realizado através de um aparelho específico em forma de tubo que permite a visualização interna do trato digestivo alto (esôfago, estômago e duodeno). O procedimento requer jejum de alimentos sólidos por 8 horas prévias ao exame. Normalmente, é realizado sob sedação, de forma que o paciente não sinta dor ou desconforto. Este exame também permite a realização de procedimentos, quais sejam: biópsias, controle de sangramentos, ressecção de lesões neoplásicas ou pré-neoplásicas, retirada de corpos estranhos, dilatação de estenoses, etc.

Leitura recomendada:

  • ASGE Standards of Practice Committee, Early DS, Lightdale JR, Vargo JJ 2nd, Acosta RD, Chandrasekhara V, Chathadi KV, Evans JA, Fisher DA, Fonkalsrud L, Hwang JH, Khashab MA, Muthusamy VR, Pasha SF, Saltzman JR, Shergill AK, Cash BD, DeWitt JM. Guidelines for sedation and anesthesia in GI endoscopy. Gastrointest Endosc. 2018 Feb;87(2):327-337.
  • ASGE Standards of Practice Committee, Shaukat A, Wang A, Acosta RD, Bruining DH, Chandrasekhara V, Chathadi KV, Eloubeidi MA, Fanelli RD, Faulx AL, Fonkalsrud L, Gurudu SR, Kelsey LR, Khashab MA, Kothari S, Lightdale JR, Muthusamy VR, Pasha SF, Saltzman JR, Yang J, Cash BD, DeWitt JM. The role of endoscopy in dyspepsia. Gastrointest Endosc. 2015 Aug;82(2):227-32.
  • ASGE Standards of Practice Committee, Evans JA, Chandrasekhara V, Chathadi KV, Decker GA, Early DS, Fisher DA, Foley K, Hwang JH, Jue TL, Lightdale JR, Pasha SF, Sharaf R, Shergill AK, Cash BD, DeWitt JM. The role of endoscopy in the management of premalignant and malignant conditions of the stomach. Gastrointest Endosc. 2015 Jul;82(1):1-8.
  • ASGE Standards of Practice Committee, Sharaf RN, Shergill AK, Odze RD, Krinsky ML, Fukami N, Jain R, Appalaneni V, Anderson MA, Ben-Menachem T, Chandrasekhara V, Chathadi K, Decker GA, Early D, Evans JA, Fanelli RD, Fisher DA, Fisher LR, Foley KQ, Hwang JH, Jue TL, Ikenberry SO, Khan KM, Lightdale J, Malpas PM, Maple JT, Pasha S, Saltzman J, Dominitz JA, Cash BD. Endoscopic mucosal tissue sampling. Gastrointest Endosc. 2013 Aug;78(2):216-24.

Colonoscopia

Colonoscopia: A colonoscopia é o exame endoscópico que avalia reto, intestino grosso e porção final do intestino delgado (íleo terminal). Este exame permite diagnóstico e o tratamento de uma grande gama de doenças como condições inflamatórias, hemorrágicas, pré-neoplásicas ou neoplásicas. Atualmente, está indicada em pacientes assintomáticos acima de 50 anos ou antes caso apresentem antecedentes familiares de neoplasia colorretal. É o principal exame de rastreio e comprovadamente ajuda a prevenir o câncer do cólon e do reto através da identificação e retirada de lesões precursoras (os pólipos adenomatosos). Exige um jejum de 8 horas para sólidos e 4 horas para líquidos, além de um preparo intestinal específico que envolve dieta pobre em fibras por alguns dias e ingesta de laxativos próximo ao exame.

Leitura recomendada:

  • Rex DK, Boland CR, Dominitz JA, Giardiello FM, Johnson DA, Kaltenbach T, Levin TR, Lieberman D, Robertson DJ. Colorectal cancer screening: Recommendations for physicians and patients from the U.S. Multi-Society Task Force on Colorectal Cancer. Gastrointest Endosc. 2017 Jul;86(1):18-33.
  • ASGE Standards of Practice Committee, Saltzman JR, Cash BD, Pasha SF, Early DS, Muthusamy VR, Khashab MA, Chathadi KV, Fanelli RD, Chandrasekhara V, Lightdale JR, Fonkalsrud L, Shergill AK, Hwang JH, Decker GA, Jue TL, Sharaf R,Fisher DA, Evans JA, Foley K, Shaukat A, Eloubeidi MA, Faulx AL, Wang A, Acosta RD. Bowel preparation before colonoscopy. Gastrointest Endosc. 2015 Apr;81(4):781-94.

Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE)

A CPRE é um procedimento minimamente invasivo que permite o tratamento endoscópico de diversas doenças do trato biliar e pancreático. É realizado sob sedação ou anestesia geral, de forma que paciente não sinta dor ou desconforto. Realiza-se o acesso retrógrado (“de baixo para cima”) por endoscopia do ducto biliar principal e a partir de então injeta-se um meio de contraste que permite estudar com clareza toda a via biliar. Então, por meio de acessórios específicos, é possível tratar a causa da doença (como retirada de pedras/cálculos) ou eventualmente realizar a drenagem interna da bile utilizando-se uma prótese. O mesmo procedimento permite também tratamento de algumas doenças do pâncreas. Atualmente, é restrita à terapêutica/tratamento de doenças, de forma que tem pouco papel no diagnóstico das doenças biliopancreáticas.

Leitura recomendada:

  • ASGE Standards of Practice Committee, Chathadi KV, Chandrasekhara V, Acosta RD, Decker GA, Early DS, Eloubeidi MA, Evans JA, Faulx AL, Fanelli RD, Fisher DA, Foley K, Fonkalsrud L, Hwang JH, Jue TL, Khashab MA, Lightdale JR, Muthusamy VR, Pasha SF, Saltzman JR, Sharaf R, Shaukat A, Shergill AK, Wang A, Cash BD, DeWitt JM. The role of ERCP in benign diseases of the biliary tract. Gastrointest Endosc. 2015 Apr;81(4):795-803.
  • ASGE Standards of Practice Committee, Buxbaum JL, Abbas Fehmi SM, Sultan S, Fishman DS, Qumseya BJ, Cortessis VK, Schilperoort H, Kysh L, Matsuoka L, Yachimski P, Agrawal D, Gurudu SR, Jamil LH, Jue TL, Khashab MA, Law JK, Lee JK, Naveed M, Sawhney MS, Thosani N, Yang J, Wani SB. ASGE guideline on the role of endoscopy in the evaluation and management of choledocholithiasis. Gastrointest Endosc. 2019 Apr 9. pii: S0016-5107(18)33162-6.

Ecoendoscopia

A ecoendoscopia é um procedimento diagnóstico que associa ultrassom ao aparelho de endoscopia. Assim, é possível realizar um exame preciso e específico dos órgãos circunjacentes ao trato digestivo alta. Especificamente, permite exame completo do pâncreas, da via biliar extra-hepática, e de lesões supepiteliais além da obtenção de biópsias (punção por agulha fina) dessas regiões que são difícil acesso por outras vias. Por fim, permite também o estadiamento adequado de neoplasias precoces do trata intestinal alto, evitando-se assim tratamentos eventualmente desnecessários.

 

Leitura recomendada:

  • Standards of Practice Committee, Faulx AL, Kothari S, Acosta RD, Agrawal D, Bruining DH, Chandrasekhara V, Eloubeidi MA, Fanelli RD, Gurudu SR, Khashab MA, Lightdale JR, Muthusamy VR, Shaukat A, Qumseya BJ, Wang A, Wani SB, Yang J, DeWitt JM. The role of endoscopy in subepithelial lesions of the GI tract. Gastrointest Endosc. 2017 Jun;85(6):1117-1132.
  • ASGE Standards of Practice Committee, Eloubeidi MA, Decker GA, Chandrasekhara V, Chathadi KV, Early DS, Evans JA, Fanelli RD, Fisher DA, Foley K, Hwang JH, Jue TL, Lightdale JR, Pasha SF, Saltzman JR, Sharaf R, Shergill AK, Cash BD, DeWitt JM. The role of endoscopy in the evaluation and management of patients with solid pancreatic neoplasia. Gastrointest Endosc. 2016 Jan;83(1):17-28.

Balão intragástrico (BIG)

Dentre as recentes alternativas para o tratamento do sobrepeso e obesidade leve, destaca-se o emprego do Balão Intragástrico (BIG). Este, apresenta como grande vantagem o fato de ser um procedimento não cirúrgico, realizado em regime ambulatorial (não necessita internação hospitalar), sob sedação e com auxílio de endoscopia, sendo assim um método pouco invasivo e de baixo risco no controle efetivo e transitório do sobrepeso. A eficácia do BIG se baseia nos princípios de restrição (reduzir a capacidade de ingesta alimentar) e lentificação do esvaziamento gástrico (levando à saciedade prolongada). Ambos favorecem uma mudança no comportamento alimentar, que associada à alteração no estilo de vida e a prática de exercícios físicos, levam à consistente perda de peso. O volume de enchimento do BIG pode variar de 600ml a 800ml devendo o mesmo ser ajustado a cada paciente de acordo com suas características pessoais, incluindo as de seu estômago, maximizando a tolerância e a eficácia do tratamento. Há balões de 6 meses, de 12 meses, alguns com possibilidade de ajuste de volume (para mais ou para menos).

 

Leitura recomendada:

  • ASGE Bariatric Endoscopy Task Force, Sullivan S, Kumar N, Edmundowicz SA, Abu Dayyeh BK, Jonnalagadda SS, Larsen M, Thompson CC. ASGE position statement on endoscopic bariatric therapies in clinical practice. Gastrointest Endosc. 2015 Nov;82(5):767-72.
  • Ali MR, Moustarah F, Kim JJ; American Society for Metabolic and Bariatric Surgery Clinical Issues Committee. American Society for Metabolic and Bariatric Surgery position statement on intragastric balloon therapy endorsed by the Society of American Gastrointestinal and Endoscopic Surgeons. Surg Obes Relat Dis. 2016 Mar-Apr;12(3):462-467.

Manometria

O estudo manométrico do esôfago tem como objetivo avaliar a atividade motora do órgão e a funcionalidade dos seus esfíncteres por meio da análise das pressões intraluminares da região estudada. Os pacientes são orientados a suspender, nos 3 dias que antecederem o exame, o eventual uso de medicação que possa interferir com as medidas pressóricas (procinéticos, anticolinérgicos e relaxantes de musculatura). Após o período mínimo de jejum de 6 horas, são submetidos, em regime ambulatorial, a anestesia local de uma das narinas, nasofaringe e orofaringe por meio de aplicação de lidocaína a 2%, na forma de gel, aspirada pelo próprio paciente. A seguir, por via nasal, é introduzido um cateter de silicone que possui 8 canais de captação de pressão esofágica; quatro canais são dispostos ao mesmo nível (na extremidade distal) de modo radial, e outros quatro ao longo do cateter a cada 5 cm. O paciente permanece na clínica durante o exame, que dura cerca de 10 minutos. Após término, a sonda é retirada com mínimo desconforto. Este exame fornece importantes informações sobre as contrações esofágicas e permite avaliação precisa dos distúrbios de motilidade esofágica como Doença do Refluxo e Megaesôfago.

 

Leitura recomendada:

  • Pandolfino JE, Kahrilas PJ; American Gastroenterological Association. AGA technical review on the clinical use of esophageal manometry. Gastroenterology. 2005 Jan;128(1):209-24.

pHmetria Esofágica

O estudo de pHmetria esofágica tem por objetivo principal avaliar a presença do refluxo ácido gástrico para o esôfago distal. Avalia também a intensidade de acidez e o tempo de exposição do esôfago ao ácido gástrico. O método tem sensibilidade elevada, sendo considerado por alguns autores como padrão-ouro para diagnósticos do refluxo gastroesofágico. Fornece informações adicionais que, somadas à avaliação clínica e exame de endoscopia, permitem um diagnóstico preciso e estadiamento da gravidade de doença do Refluxo Gastroesofágico.

 

Literatura recomendada:

  • Gyawali CP, Kahrilas PJ, Savarino E, Zerbib F, Mion F, Smout AJPM, Vaezi M, Sifrim D, Fox MR, Vela MF, Tutuian R, Tack J, Bredenoord AJ, Pandolfino J, Roman S. Modern diagnosis of GERD: the Lyon Consensus. Gut. 2018 Jul;67(7):1351-1362.

Impedâncio-Phmetria

A impedância intraluminal esofágica é um método diagnóstico que registra o fluxo retrógrado de conteúdo gástrico, independente de seu pH. Quando combinado com pHmetria (Impedâncio-pHmetria), permite detectar o Refluxo Gastroesofágico (RGE) ácido e “não-ácido”. Portanto, permite definir se um sintoma é relacionado com refluxo ácido, relacionado com refluxo “não-ácido”, ou não relacionado com refluxo. Além disso, a Impedâncio-pHmetria permite caracterizar o RGE quanto à sua composição (líquido, gasoso ou líquido-gasoso) e identificar o nível do refluxo no esôfago. Essas informações são de suma importância para definição do tratamento da doença, dado que frequentemente os refluxos “não-ácidos” e gasosos não respondem bem à supressão ácida com medicações inibidores de bomba de prótons (pe. Omeprazol).

 

Leitura recomendada:

  • ASGE Technology Committee, Wang A, Pleskow DK, Banerjee S, Barth BA, Bhat YM, Desilets DJ, Gottlieb KT, Maple JT, Pfau PR, Siddiqui UD, Tokar JL, Song LM, Rodriguez SA. Esophageal function testing. Gastrointest Endosc. 2012 Aug;76(2):231-43.